SuperVia sai de operação dos trens do Rio em março do ano que vem
Depois de quase três décadas, a malha ferroviária que corta o Rio e a Baixada vai mudar de mãos. A SuperVia larga o serviço em 16 de março de 2026, e o estado ainda não cravou quem assume a bronca. Seja quem for, vai pegar um desafio do tamanho do problema.
• Cenário de abandono
As equipes do RJ2 rodaram trechos de Deodoro, Santa Cruz, Paracambi e Japeri e encontraram retratos de descaso: trechos de estações virados em depósito de droga, usuários circulando sem fiscalização, trens depredados e banheiros inutilizáveis. Em Paracambi, nem banheiro tem.
• Perigo diário
Em Deodoro, passageiros seguem caminhando entre trilhos como se fosse normal, enquanto vagões largados criam um verdadeiro “cemitério de trens”. Em Padre Miguel e Senador Camará, o fluxo de gente invade as áreas internas das estações o tempo inteiro.
• Sufoco e tarifa cara
A superlotação continua sendo uma das maiores dores de cabeça. Passageiros falam em sufoco diário e ainda reclamam do preço: R$ 7,60, com o bilhete social a R$ 5, não combina em nada com a qualidade entregue. Escadas rolantes quebradas, acessibilidade precária e estruturas cansadas completam a lista.
• Dimensão do problema
O sistema tem 270 km, 5 ramais, 3 extensões e 104 estações, levando cerca de 300 mil pessoas por dia. A concessão começou em 1998. Em 2023, a empresa avisou que não tinha mais condição de operar, alegando prejuízo e furtos constantes.
• Como será a transição
O governo prevê três meses de operação dividida. De janeiro a março, SuperVia e a futura operadora vão atuar juntas; em abril, a nova empresa assume de forma integral. A Secretaria de Transportes admite que não vai ser simples, mas promete reforço policial e ações contra furtos.
• O que dizem as partes
A SuperVia afirma que investiu R$ 160 milhões no último ano, reduziu o tempo de viagem e tentou baixar a demanda em 10%. A PM diz que segue patrulhando, intensificando operações e aumentando o efetivo nos horários mais críticos.
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